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CABEÇALHO

Investigadores analisaram as imagens recolhidas a partir de vários telescópicos para concluir que há uma disrupção gigante nas nuvens baixas de Vénus e que dura há décadas.

A cerca de 50 quilómetros de altitude em Vénus há uma disrupção atmosférica gigante, ainda desconhecida em qualquer outra parte do Sistema Solar, que se desloca de forma veloz e que passou despercebida durante pelo menos 35 anos. A descoberta agora é relatada num estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, com o trabalho a ser liderado por Javier Peralta, da agência espacial japonesa JAXA, e contou com a participação de Pedro Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, IA, e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

 

Os investigadores estimam que a descontinuidade nas nuvens pode estender-se por 7500 quilómetros, ocorre no nível baixo das nuvens e desliza periodicamente em torno do globo sólido em cinco dias, a cerca de 328 quilómetros por hora. Os primeiros indícios encontrados pareciam sugerir estarmos perante uma onda atmosférica de proporções planetárias. “Se isto acontecesse na Terra, seria como uma superfície frontal, mas à escala planetária, o que é algo inacreditável”, diz Pedro Machado.

 

O IA contribuiu com trabalho anterior, mas trouxe também novas observações com o telescópio de infravermelhos IRTF da NASA, no Havai, coordenadas com observações simultâneas a partir do espaço com a sonda Akatsuki.

 

Este tipo de fenómenos já é conhecido nas nuvens da atmosfera da Vénus, mas esta é a primeira vez que se descobre que ocorre também a baixas altitudes. O comunicado de imprensa explica que esta região profunda da atmosfera é responsável pelo efeito de estufa descontrolado que retém o calor e mantém a superfície a 465 graus Celsius.

 

O mecanismo que terá iniciado esta disrupção e que a mantém com ciclos de intensidade variável é ainda desconhecido, apesar de simulações por computador a tentarem mimetizar. “Este é um fenómeno meteorológico novo, ainda não visto noutros planetas, e por causa disso é ainda difícil fornecer uma interpretação física convincente”, diz Peralta. Pedro Machado complementa que “precisávamos de alguém, como o Javier, que tivesse acesso a uma grande coleção de imagens, espalhadas por diferentes telescópios e obtidas ao longo das últimas décadas”. O fenómeno aparece em imagens tão antigas como 1983.

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