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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Miguel Salgueiro, sócio da tecnológica, refere que ainda hoje “é difícil” para os executivos terem noção dos consumos dos seus edifícios. “Vai haver uma reunião. Quem de direito faz a reserva na plataforma e já sabe, por defeito, que o menu é uma água, dois cafés, guardanapos e talheres. E usa-se o sistema para isso ou para limpeza e manutenção”, afirma.

Tem apenas três anos de vida e é responsável pela gestão de edifícios e sistemas de água e eletricidade das maiores empresas do país. A NextBitt tem sede em Lisboa, foi fundada em outubro de 2015, mas já deixou de se ver como uma startup porque, atualmente, gere mais 1.000 milhões de ativos físicos em Portugal de empresas de telecomunicações, retalho, ferrovia ou aviação.

 

A tripla de empreendedores Miguel Salgueiro, André Calisto e Pedro Morais considera que os executivos continuam essencialmente com duas dúvidas: Quanto é que os seus edifícios consomem? Porque é que consomem esse valor? “Ainda hoje é difícil terem noção destes consumos, quanto custam, sendo certo que nunca pode faltar água e luz no edifício. Há casos de clientes nossos que reduziram custos operacionais entre 30 a 40%. Um ativo físico tem um ciclo de vida, um SLA [Service Level Agreement] associado. Hoje, se temos um rato, uma lâmpada ou até uma cadeira, o utilizador, para exercer bem a sua função, só tem de carregar numa tecla e aquilo aparecer”, disse Miguel Salgueiro, sócio da NextBitt, ao Jornal Económico.

 

Com a ambição de tornar as organizações mais produtivas, os três sócios juntaram-se e desenvolveram um negócio de assets management, facilities management e field services, o que tanto funciona para um ar condicionado como para um capacete de um trabalhador da construção civil. Na prática, desenvolvem plataformas tecnológicas de gestão de ativos físicos, com a utilização de um sistema que permite integrar sensores NFC (Near Field Communication), software ERP ou alarmística.

 

“Somos três sócios com mais de 20 anos de experiência cada. A dada altura da vida entendemos que nos deveríamos juntar porque éramos peças de um puzzle de um nicho de negócio com o qual nos deparámos na crise de 2009-2010, quando os CEOs olhavam para os custos das suas empresas e pensavam onde cortar”, lembrou Miguel Salgueiro.

 

Do leque de clientes fazem parte a Vodafone, a CUF, o Altice Arena, a Federação Portuguesa de Futebol, a Navigator, a Prio, a Heineken, a Leroy Merlin ou a Sonae. Por exemplo, no caso da Brisa, tem três plataformas de gestão de assets management: para limiares (alcatrão), para obras (pontes, viadutos…) e para os chamados ativos discretos (Via Verde, portagens, rede de iluminação das autoestradas, placas gráficas…). Já a EDP contratou a NextBitt para implementar sensores que monitorizem a qualidade do ar e temperatura dos edifícios.

 

Ao jornal, Miguel Salgueiro afirma que a tecnológica tem a visão de trabalhar com grandes empresas de referência europeia ou internacional. “É o caminho que queremos seguir. Vou-lhe dar um caso real. Vai haver uma reunião do conselho de administração de uma empresa. Quem de direito faz a reserva na plataforma e já sabe, por defeito, que o menu é uma água, dois cafés, guardanapos e talheres. Assim, a equipa já sabe que tem de colocar aquele kit para o número de pessoas que for necessário. E usa-se esse sistema para isto, como se usa para a limpeza e manutenção do edifício e para outra série de coisas”, explica o ainda administrador da WTE – World Trade Energy, Logística & Serviços.

 

A NextBitt garante que nunca recebeu apoio de fundos de capital risco, nunca pediu empréstimos à banca, sempre usou capitais próprios e hoje só utiliza dinheiro dos seus “ativos” (igualmente físicos), os cerca de 30 clientes que tem.

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