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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os investidores e empresários alemães alocaram em Portugal mais de 10,5 mil milhões de euros, responsáveis pela manutenção de cerca de 35 mil postos de trabalho, nos últimos cincos anos.

O investimento estrangeiro – uma das vertentes que todos os governos assumem como uma prioridade, mas que bastas vezes não passa das intenções ou é fonte de fortes desentendimentos (veja-se o atualíssimo exemplo da TAP) – tem nos empresários alemães uma certeza de discrição e de gestão a longo prazo, como ficou patente no seminário ‘O novo paradigma do investimento luso-alemão’, hoje realizado no Porto.

 

Nos últimos cinco anos, segundo Daniel Ricardo, da consultora Roland Berger (de origem alemã), os investidores e empresários alemães alocaram em Portugal mais de 10,5 mil milhões de euros, responsáveis pela manutenção de cerca de 35 mil postos de trabalho. Empresas como a Continental, Bosch, VW e Mercedes são algumas, as mais sonantes, das que têm investido no país, de forma consolidada e alheia às conjunturas de crise que têm assolado a economia portuguesa.

 

Para aquele responsável, há contudo um caminho de desenvolvimento a percorrer, que é, como está claro, do interesse de todos. É, além disso, um caminho de duas vias: para além do investimento direto estrangeiro, vários setores nacionais terão todo o interesse e tudo em ganhar se investirem na Alemanha.

 

Esse caminho fica mais uma vez patente nos números: é Portugal não é senão o 36º país do ranking dos investimentos alemães no estrangeiro – um ranking que é, como não podia deixar de ser, liderado pelos países de expansão ‘natural’ germânica – os vizinhos checos, outros países eslavos, os países balcânicos mais próximos do território alemão, a Itália (recorde-se o Sacro Império Romano Germano). Mas a Espanha está na 8ª posição, o que prova que Portugal pode estar bem melhor classificado.

 

Para Daniel Ricardo, o ‘menu’ do desenvolvimento passa, desde logo, por uma abordagem bem diferente da tradicional: “os alemães gostam de uma abordagem ‘one to one’, que lhes permita não perder tempo com generalismos, que têm cada vez menos espaço”. Essa abordagem, afirmou, tem de ser criteriosa e minuciosamente preparada, uma vez que, numa lógica ‘one to one’, qualquer deficiência toma proporções difíceis de esconder.

 

Para aquele reponsável, a economia portuguesa tem neste momento predicados que são precisamente aqueles que os empresários procuram: a qualidade e o custo da mão de obra; a oferta de profissionais, nomeadamente engenheiros, de elevada qualidade; a rapidez na criação de empresas; e o crescimento das empresas inovadoras nas áreas tecnológicas, entre outros.

 

O ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral, que participou no seminário, disse, por seu turno, que, “nos três últimos anos em em relação aos quatro anos anteriores, o investimento alemão em Portugal cresceu 40%” – sendo clara a divisão entre o atual e o anterior governo.

 

E, como Daniel Ricardo, afirmou que a margem de crescimento é muito grande. Como também concordou com a análise de que é um investimento de “grande qualidade”, entre outras coisas porque se situa normalmente do lado da indústria, permitindo o florescimento de “cadeias de fornecedores” que sustentam o conjunto da economia.

 

Nesse quadro, concluiu, “o investimento alemão é um investimento estratégico, e um dos que, a par do francês, mais alterou [no bom sentido] a estrutura produtiva portuguesa.

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