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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A dificuldade em encontrar vinhos de produtores portugueses independentes na Costa Oeste dos Estados Unidos levou a norte-americana Rachel Farah a abrir uma importadora e a criar um Clube de Vinhos na Califórnia.

O mercado-alvo da empresa, Rachel Farah Selections, é o das comunidades luso-americanas e dos consumidores locais que se entusiasmam com novos vinhos e regiões mas não conseguem encontrá-los no retalho.

 

"Tenho sido contactada por várias organizações portuguesas que estão a tentar encontrar formas de captar a geração mais nova, que está a afastar-se dos halls", disse à Lusa a empresária. "Querem começar pequenos clubes de vinhos nos halls, para criar algo novo e excitante para as gerações mais jovens".

 

Rachel Farah trabalhou durante vários anos numa grande importadora e distribuidora de vinho e abriu a sua própria empresa há seis meses, depois de um trabalho intensivo junto de pequenos produtores portugueses.

 

"A maioria já tinha exportado vinho para a Costa Leste, porque há uma grande população portuguesa em Nova Iorque e Nova Jersey, mas quase ninguém exportava para a Califórnia", explicou. "E queriam fazê-lo".

 

Os membros do Clube de Vinhos que criou recebem três remessas por ano, cada uma com três garrafas de regiões e produtores distintos, a 80 dólares por quadrimestre. A assinatura inclui convites para jantares e provas de vinhos, notas de sabores e a história por detrás dos produtores portugueses.

 

Além do clube, intitulado 'Discover Portugal' (Descubra Portugal), quem quiser comprar garrafas avulsas na loja online pode fazê-lo, com preços que vão dos 15 aos 30 dólares (dos 13,5 aos 27 euros).

 

Segundo a empresária, a maior parte dos seus clientes reside no vale central da Califórnia, onde existe uma grande comunidade lusodescendente, havendo também membros do clube em Los Angeles, San Diego e até na região de vinhos Napa Valley.

 

A ligação de Rachel Farah a Portugal começou em pequena durante a década de 1990, através de uma ama portuguesa, Leonor, que viveu com a família durante cinco anos.

 

Quando a empresária se licenciou em Estudos Latino-Americanos na Universidade da Califórnia, Berkeley, o currículo incluía uma cadeira de português que podia ser concluída em Portugal. Foi isso que Farah escolheu, em 2008, altura em que reencontrou a antiga ama portuguesa no Facebook e começou a passar todos os verões com ela, em Cascais.

 

A mudança de carreira de política pública para a indústria dos vinhos levou-a a olhar para o mercado português de outra maneira. "Ia a Portugal de férias e agora que já percebia de vinho comecei a viajar para o Douro e outras regiões e fiquei maravilhada com os vinhos", contou a responsável.

 

"Regressei à Califórnia e apercebi-me de que não conseguia encontrar muitos dos vinhos portugueses mais interessantes que tinha provado", afirmou. "Encontrava os grandes nomes e estilos, mas não os outros, ao contrário do que acontece por exemplo com Itália e Espanha, em que se vê vinhos de pequenos produtores independentes".

 

De acordo com a investigação que fez junto de retalhistas e importadores, o problema era o marketing. "Todos disseram o mesmo: acreditam na qualidade e no interesse da história, mas não dá para vender, porque ninguém consegue pronunciar os nomes, ninguém conhece bem Portugal, e há demasiados vinhos no mercado".

 

A saturação é visível no retalho, com uma oferta prolífica de vinhos europeus, latino-americanos e da própria Califórnia, sendo necessária "uma educação" dos consumidores para aumentar a visibilidade de Portugal como produtor de qualidade.

 

Esse é um dos objetivos de Rachel Farah, que aprendeu a falar português, faz acompanhar as garrafas de histórias e pretende expandir o âmbito narrativo do negócio.

 

"Estou a começar a fazer vídeos e entrevistas com os produtores e a organizar eventos", adiantou, referindo que é isso que permitirá ligar as pessoas à origem dos vinhos, "por oposição à grande cadeia de distribuição, através da qual os vinhos costumam chegar à mesa", porque nas lojas "ninguém sabe de onde veio nem o que é".

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