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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

“O mercado espanhol é cerca de quatro vezes maior. Espanha é muito mais apetecível porque está a crescer”, refere o fundador, Filipe Figueiredo. Além das típicas tours, a empresa portuguesa apostou na venda e aluguer das viaturas. Em 2018, a faturação da empresa com esta unidade de negócio foi de cerca de um milhão de euros.

“Com emoção ou sem emoção?”, pergunta Maria enquanto conduz o tuk tuk e apercebe-se de que está a aproximar-se uma zona esburacada. Prego a fundo ou desacelerar? Depende da preferência (e adrenalina) dos clientes. Com o verão a aproximar-se e os turistas a chegar em massa a Lisboa, tornar-se-á mais frequente ver estes veículos de inspiração asiática nas estradas. No entanto, há uma empresa portuguesa – entre a centena de operadores neste mercado dos tuk tuks – que está a abrir horizontes e a deixar mais de parte as tradicionais tours.

 

A Local Tuk Tuk, fundada por Filipe Figueiredo, tem duas unidades de negócio: os passeios (Península Ibérica) e a distribuição/venda (apenas em Espanha). “O mercado espanhol é cerca de quatro vezes maior. Espanha é muito mais apetecível porque está a crescer. Mas chegámos a Madrid do zero. Lá não tinham elétricos, porque as leis espanholas exigiam muita burocracia”, refere ao Jornal Económico o empresário de 37 anos, ex-responsável de marketing para PME na Microsoft Portugal e antigo colaborador da SBA – Consulting Europe.

 

Filipe Figueiredo criou a Local Tuk Tuk com cerca 15-20 mil euros de investimento inicial e, um ano mais tarde, o projeto ganhou dois sócios e arrecadou mais 800 mil euros. “Estive na Microsoft, depois trabalhei em consultoria e em projetos fora, nomeadamente na América Latina. Estive quase sete anos fora. Querer voltar para Portugal,  assentar em Lisboa, foi o que me fez começar nos tuk tuks, em 2014. Tinha algum dinheiro no bolso e o turismo estava em desenvolvimento”, contou ao semanário.

 

Há dois anos, esta agência turística (licenciada pelo Turismo de Portugal em Lisboa e pela Direção Geral de Turismo de Madrid) iniciou a internacionalização para a capital espanhola. Atualmente, a Local Tuk Tuk tem uma frota na ordem dos 40 veículos próprios, 100% elétricos, a funcionar através das mãos (e pés) dos 30 condutores. Em Portugal emprega cinco colaboradores (à parte os três sócios). “Antes de existirem tuk tuks, o Miradouro da Senhora do Monte [na freguesia de São Vicente] praticamente não tinha turismo. O centro e zona antiga da cidade (Sé, Panteão Nacional…) é para onde mais vão os turistas”, diz.

 

Para o CEO, o negócio dos passeios a 60 euros por hora ainda é viável em Lisboa, porque tem “procura e investimento”, mas não sabe “por quanto mais tempo”. É por isso que, em terras de nuestros hermanos, a Local Tuk Tuk está a vender viaturas novas e personalizadas (mesmo para outras empresas que queiram ser concorrentes), de forma de explorar outras fontes de rendimento. No ano passado, a faturação com a venda destes veículos em Espanha foi de cerca de um milhão de euros.

 

“Fomos contactados pela distribuidora na Holanda [Tuk Tuk Factory] para sermos os representantes em Espanha, porque tínhamos sido os pioneiros lá. A carroçaria vem da Tailândia e as baterias elétricas são montadas na Holanda”, refere ao semanário. Além disso, é possível alugá-los para vending, no âmbito da street food, para serviços de corporate (circuitos customizados de team building ou transferes, por exemplo) ou para fornecer o comércio nas grandes cidades, em zonas onde o trânsito está condicionado a veículos movidos a combustíveis fósseis.

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